{jcomments on}Isidoro Royer nasceu em Itapiranga-SC, em 15 de maio de 1956, dia de Santo Isidoro, o Agricultor; faleceu no dia 03 de abril de 1985, sendo sepultado no dia seguinte, quando se fazia memória de Santo Isidoro de Sevilha; era o 4ð dos 13 filhos do casal Pedro Aloísio Royer e Asela Isita Royer.Sua ordenação diaconal aconteceu em 29 de julho de 1984, em Aparecidinha do Oeste, atual Itaipulândia-PR, e a presbiterial, em 12 de janeiro de 1985, na cidade de Missal-PR.Seu sacerdócio sobre esta terra foi breve, mas intenso.Quando nos deixou, trabalhava no Seminário Menor Diocesano Nossa Senhora Medianeira.

Alguns dias após o seu falecimento, quase que por acaso, um vizinho da chácara do seminário, na Linha São Brás, em Medianeira, revelou-nos uma realidade que nos era desconhecida.Contou-nos de que na noite do acidente, aos três dias do mês de abril, suas crianças bateram à porta do quarto do casal para comunicar que, segundo a notícia transmitida pela Rádio Independência, o Padre Valdir e o " Padre Sementinha" haviam sofrido um grave acidente e que os dois teriam morrido.Perguntei-lhe: "Padre Sementinha?

Como assim? "Eu nunca ouvi ninguém chamá-lo por este apelido!"

O vizinho então explicou que alguns dias antes o Padre Isidoro havia estado na sua casa.As crianças estavam comendo mamão e, ao convite delas, ele aceitou um pedaço.Ao ver que o Padre comia também as sementes, as crianças acharam estranho e queriam saber por que.Ele explicou que as sementinhas de mamão fazem muito bem à saúde.Elas então passaram a chamá-lo de Padre Sementinha.Como era de estatura franzina, o apelido era perfeito.

Esta revelação deixou-me pensativo.Talvez tivesse sido providencial.De fato, no dia do nosso acidente, havíamos jogado semente de trigo na terra.O acidente ocorreu por causa do nosso atraso, uma vez que devíamos acompanhar a semeadura, sobrara uma certa quantia de sementes que estava no capô do nosso veículo(Fusca), na hora do acidente.O Evangelho escolhido para a celebração funeral falava justamente do grão de trigo que cai na terra e morre para produzir muitos frutos9cf. Jo. 12,24).A partir daquele dia, muitas vezes deparava-me com duas perguntas: " Qual era mesmo o conteúdo desta 'Sementinha'?e "Que frutos haverá de produzir?"

O cálice do Padre Isidoro conserva-se até hoje na capela do seminário Nossa Senhora Medianeira.É, até o momento, a sua herança material mais preciosa que nos deixou.É de material inoxidável e por isso se mantém sempre novo.Fora um presente que recebera de sua madrinha de ordenação.Sempre que, nestes anos se tenha apresentado alguma ocasião propícia tenho me utilizado desta herança para falar do "Padre Sementinha".

Depois de algum tempo de sua partida para "a casa do pai", tive o cuidado de separar dentre os seus pertences aquilo que poderia sr útil para o Seminário Menor, aquilo que poderia ser útil para o seminário Maior, aquilo que deveria ser devolvido à família e aqui que poderia sr partilhado com os pobres.Apossei-me de uma agenda e de um caderno, bem como de alguns documentos pessoais, incluído o atestado de óbito.Neste momento, por exemplo, estou de posse de sua "Identidade de Beneficiário" do INAMPS.

Passados vinte anos, dou-me conta de que aquele caderno que guardara era um Diário Espiritual e que ali havia uma herança muito mais preciosa que o seu cálice sempre novo.É o seu primeiro Diário Espiritual e retrata um breve período de sua vida:entre março de 1977 e abril de 1978, ou seja, durante o 3ð ano de Colegial e início da Filosofia.Convenci-me de que ali estava a resposta para aquela pergunta que sempre me fazia: "qual o conteúdo desta Sementinha?"

Busquei entre seus familiares outros diários, pois que, com certeza, deveria ter mantido o hábito de escrever suas experiências.Infelizmente nada foi encontrado.Nem mesmo as suas belas cartas endereçadas à família.Tudo se transformara em cinzas quando, no ano de 1991, um incêndio destruiu a casa.

Nossa certeza era de que valia a pena publicar esta herança, mesmo que breve, pis, como testemunharam os nossos seminaristas menores ao ler tais anotações: "o seminarista Isidoro tinha pressa de ser santo".Fomos então, em parceria com a família e o Serviço de Animação Vocacional da Diocese de Foz do Iguaçu, vívidos, recolhendo recordações, escritos, impressões e testemunhos, na tentativa de resgatar, o quanto possível, a preciosidade desta "Sementinha" que certamente frutificará no terreno fecundo da nossa juventude e, porque não, também nos terrenos mais vividos.